
Talento
Tá lento.
Se tá rápido
Não tá lento.
E se não tá lento
Não é Talento.Rafaella Silveira Scupira da Costa.

Há aqueles que dizem e prometem...
E há aqueles que lutam com ações e práxis.
Aqueles que tanto dizem esquecem de fazer
Aqueles que prometem nunca cumprem...
Mas há quem lute, em silêncio,Sem esquecer de:
Fazer;
Demonstrar;
De amar;De se entregar...
Mas, nem sempre aquele que tanto fala
Consegue ouvir os gestos de amor daquele que estar ao seu lado.
Pois, prefere
Palavras, palavras, palavras...
Palavras essas que ecoam vazias,
Pois não têm força de ação.
Talvez por tanto dizer,
Tanto falar
Não tenhas conseguido ouvir
O olhar de amor daquela que, sempre, esteve ao seu lado.
E que sempre o amou.Ao invés de jurar Amor Eterno...
Que logo cedo esmorece.
Amou,
Simplesmente amou.
Talvez...
Aquele que tanto fez promessas
Não tenha percebido que aquela que esteve, sempre, ao seu lado
Sempre dissimulara as promessas que nunca foram cumpridas.Não seria isso prova prova de amor?Não seria esse seu modo de lutar?De falar?Simplesmente
Dizermos que estaremos ao lado de alguém que julgamos amar
Não é necessariamente estar ao lado.Porque para se estar ao lado de quem se ama
Não precisa ser dito ou prometido.Basta um olhar...Para estar ao lado de quem se ama
Têm que, verdadeiramente, amar
E estar disposto a si mesmo renunciar
Para se fazer presente não apenas de corpo
Mas, de corpo presente;
De alma...
Estando sempre presente,
Mesmo que em silêncio.
Mas, nem sempre aquele que tanto fala
Consegue ouvir os gestos de amor daquele que estar ao seu lado.
Pois, prefere
Palavras, palavras, palavras...
Palavras essas que ecoam vazias,
Pois não têm força de ação.Por fim,
Sem adeus
Pois não restam mais palavras
Não sendo mais necessário:
Promessas;
Juras;
Ou mesmo o que dizer.
Pois as palavras vão
Com as promessas,
Com as juras;
As palavras passam com os homens,
As palavras vão com os homens.
Esmorece o homem com suas palavras
Pois, indo o homem
Silenciam as palavras vazias
Sem força de ação.
O homem passa...
Restando apenas o amor.
Pois o amor
Não é homem,
Não são palavras,
Não são promessas,
Não são juras...
Rafaella Silveira Sucupiras da Costa.

Deitei-me em minha cama
Liguei o aparelho de som
Na intenção de acalmar minh 'alma aflita
Com uma linda trilha sonora.
No escuro de meu quarto pude sonhar acordada
Enquanto mergulhava-me nos doces sons da orquestra...
Vibravam, emocionalmente, as cordas
E a canção do violino me transportava para outra realidade.
Uma realidade distante da corpórea.
O tempo?
Não me dava conta de sua existência.
Aquele momento era simplesmente eterno.
Eternizava-se em mim o prazer de gozar de algo sublime.
De poder desfrutar da mais pura paixão.
Mas, derrepente algo me trás de volta
E me vejo na escuridão daquele quarto.
Fui interrompida pelas marcas do Disco...
O disco arranhado
Me impedirá de sonhar,
De amar.
Não há música que cante livremente
Com tantas marcas e arranhões...
Disco arranhado
Tu possuis belíssimas músicas em teu interior
Mas, não podes reproduzi-las.
Sem música,
Sem sonhos,
Sem vida...
Levanto-me da cama
Tiro o disco do aparelho
E ao ver suas profundas marcasPercebo que não tem mais volta...
E acabo por jogar o disco arranhado fora
Ao lixo o disco que outrora me fizera feliz. Rafaella Silveira Sucupira da Costa.

Hoje é o grande diaO tão esperado diaDia da sapatilha de pontaDia da bailarina.Desde do primeiro dia Que vi uma bailarinaNa sapatilha de pontaSonhei um dia Assim eu estar...Na pontaNa sapatilha de ponta.E assim sonhei Ser uma bailarinaE um dia A dança me dedicar. Começa a aulaMinha primeira aula.Mas, nada de pontaNada de sapatilha de ponta.Primeiro dia de aulaApenas na meia ponta,Segundo dia de aulaApenas na meia ponta...Assim, foram minhas aulasLongas aulas de meia pontaSonhando com a sapatilha de pontaQue nunca parecia chegar.Plier,Cambrer...E o sonho da sapatilha de ponta.Mas, hoje é chegado o diaO dia tão esperado,Tão desejado...O dia da sapatilha de ponta.Sorriso de ponta à pontaPois, hoje é o dia da sapatilha de ponta.Sou bailarinaE hoje realizoO sonho sonhadoO sonho da sapatilha de pontaCom um sorriso de ponta à ponta.Rafaella Silveira Sucupira da Costa.(Homenagem a minha bailarina, a minha irmãzinha querida)

Se eu quizer seguir as "religiões" dos homens
Terei que fechar os meus olhos,
Tapar meus ouvidos,
Calar minha boca;
Crescer diante dos homens
E diminuir diante de Deus.
Rafaella Silveira Sucupira da Costa.

Como se fundamentaria a vidaSe não houvesse sofrimento?Se ao menos soubéssemosA razão do nosso lamento...Não andaríamos sempreCom tanto descontentamento.E assim com a nossa ignorância seguimosAchando-nos fartos de conhecimento.Ah! e as nossas descobertasNão nos tornam nem melhores nem priores,Apenas são peças de um jogo inexplorado...E a vida?Como saberíamos o que é viverSe não provássemos à morte?Foi necessário alguém perecerPara que o nosso serPudesse nascer.Assim como o diaQue só nasceSe a noite morrer.Rafaella
Silveira sucupira
da Costa.
Entre Viver e MorrerOptamos por sobreviver.Cada passos que damos,CaminhamosEm direção à Morte.Mas, também à Vida.Como se estivessemos presosNo ciclo viciosoDe lutar pelo ViverQuando nosso prémioÉ simplesmente Morrer.O quê resta ao corpo,Não é a Morte?'O pó retorna ao pó...'Enquanto prosseguimos
À dá forma ao barroEsquecemosO informe transcendentalNa ilusão de tornar imortalO corpo mortalNos sujeitamosApenas, a SobreviverEsquecendo-nos de Viver.Rafaella Silveira Sucupira da Costa.