sábado, 18 de junho de 2011

Tálento*
























Talento

Tá lento.

Se tá rápido
Não tá lento.

E se não tá lento
Não é Talento.


Rafaella Silveira Scupira da Costa.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Palavras, palavras, palavras...























Há aqueles que dizem e prometem...
E há aqueles que lutam com ações e práxis.

Aqueles que tanto dizem esquecem de fazer
Aqueles que prometem nunca cumprem...

Mas há quem lute, em silêncio,

Sem esquecer de:
Fazer;
Demonstrar;
De amar;

De se entregar...

Mas, nem sempre aquele que tanto fala
Consegue ouvir os gestos de amor daquele que estar ao seu lado.
Pois, prefere
Palavras, palavras, palavras...
Palavras essas que ecoam vazias,
Pois não têm força de ação.

Talvez por tanto dizer,
Tanto falar
Não tenhas conseguido ouvir
O olhar de amor daquela que, sempre, esteve ao seu lado.
E que sempre o amou.


Ao invés de jurar Amor Eterno...
Que logo cedo esmorece.
Amou,
Simplesmente amou.

Talvez...
Aquele que tanto fez promessas
Não tenha percebido que aquela que esteve, sempre, ao seu lado
Sempre dissimulara as promessas que nunca foram cumpridas.

Não seria isso prova prova de amor?
Não seria esse seu modo de lutar?
De falar?

Simplesmente
Dizermos que estaremos ao lado de alguém que julgamos amar
Não é necessariamente estar ao lado.

Porque para se estar ao lado de quem se ama
Não precisa ser dito ou prometido.

Basta um olhar...

Para estar ao lado de quem se ama
Têm que, verdadeiramente, amar
E estar disposto a si mesmo renunciar
Para se fazer presente não apenas de corpo
Mas, de corpo presente;
De alma...
Estando sempre presente,
Mesmo que em silêncio.

Mas, nem sempre aquele que tanto fala
Consegue ouvir os gestos de amor daquele que estar ao seu lado.
Pois, prefere
Palavras, palavras, palavras...
Palavras essas que ecoam vazias,
Pois não têm força de ação.


Por fim,
Sem adeus
Pois não restam mais palavras
Não sendo mais necessário:
Promessas;
Juras;
Ou mesmo o que dizer.

Pois as palavras vão
Com as promessas,
Com as juras;
As palavras passam com os homens,
As palavras vão com os homens.

Esmorece o homem com suas palavras
Pois, indo o homem
Silenciam as palavras vazias
Sem força de ação.

O homem passa...
Restando apenas o amor.

Pois o amor
Não é homem,

Não são palavras,
Não são promessas,
Não são juras...


Rafaella Silveira Sucupiras da Costa.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Disco arranhado

















Deitei-me em minha cama

Liguei o aparelho de som
Na intenção de acalmar minh 'alma aflita
Com uma linda trilha sonora.

No escuro de meu quarto pude sonhar acordada
Enquanto mergulhava-me nos doces sons da orquestra...
Vibravam, emocionalmente, as cordas
E a canção do violino me transportava para outra realidade.
Uma realidade distante da corpórea.

O tempo?
Não me dava conta de sua existência.
Aquele momento era simplesmente eterno.
Eternizava-se em mim o prazer de gozar de algo sublime.
De poder desfrutar da mais pura paixão.

Mas, derrepente algo me trás de volta
E me vejo na escuridão daquele quarto.
Fui interrompida pelas marcas do Disco...
O disco arranhado
Me impedirá de sonhar,
De amar.

Não há música que cante livremente
Com tantas marcas e arranhões...

Disco arranhado
Tu possuis belíssimas músicas em teu interior
Mas, não podes reproduzi-las.

Sem música,
Sem sonhos,
Sem vida...

Levanto-me da cama
Tiro o disco do aparelho
E ao ver suas profundas marcas
Percebo que não tem mais volta...
E acabo por jogar o disco arranhado fora
Ao lixo o disco que outrora me fizera feliz.


Rafaella Silveira Sucupira da Costa.

sábado, 9 de abril de 2011

Sapatilha de ponta



















Hoje é o grande dia

O tão esperado dia
Dia da sapatilha de ponta
Dia da bailarina.

Desde do primeiro dia
Que vi uma bailarina
Na sapatilha de ponta
Sonhei um dia
Assim eu estar...

Na ponta
Na sapatilha de ponta.
E assim sonhei
Ser uma bailarina
E um dia
A dança me dedicar.

Começa a aula
Minha primeira aula.
Mas, nada de ponta
Nada de sapatilha de ponta.

Primeiro dia de aula
Apenas na meia ponta,
Segundo dia de aula
Apenas na meia ponta...

Assim, foram minhas aulas
Longas aulas de meia ponta
Sonhando com a sapatilha de ponta
Que nunca parecia chegar.

Plier,
Cambrer...
E o sonho da sapatilha de ponta.

Mas, hoje é chegado o dia
O dia tão esperado,
Tão desejado...
O dia da sapatilha de ponta.

Sorriso de ponta à ponta
Pois, hoje é o dia da sapatilha de ponta.

Sou bailarina
E hoje realizo
O sonho sonhado
O sonho da sapatilha de ponta
Com um sorriso de ponta à ponta.


Rafaella Silveira Sucupira da Costa.
(Homenagem a minha bailarina, a minha irmãzinha querida)

sábado, 2 de abril de 2011

Religiões



















Se eu quizer seguir as "religiões" dos homens

Terei que fechar os meus olhos,
Tapar meus ouvidos,
Calar minha boca;
Crescer diante dos homens
E diminuir diante de Deus.

Rafaella Silveira Sucupira da Costa.

sábado, 5 de março de 2011

Nascimento na Morte












Como se fundamentaria a vida

Se não houvesse sofrimento?
Se ao menos soubéssemos
A razão do nosso lamento...
Não andaríamos sempre
Com tanto descontentamento.

E assim com a nossa ignorância seguimos
Achando-nos fartos de conhecimento.
Ah! e as nossas descobertas
Não nos tornam nem melhores nem priores,
Apenas são peças de um jogo inexplorado...

E a vida?
Como saberíamos o que é viver
Se não provássemos à morte?

Foi necessário alguém perecer
Para que o nosso ser
Pudesse nascer.
Assim como o dia
Que só nasce
Se a noite morrer.


Rafaella Silveira sucupira da Costa.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Sobreviver

















Entre Viver e Morrer
Optamos por sobreviver.

Cada passos que damos,
Caminhamos
Em direção à Morte.
Mas, também à Vida.

Como se estivessemos presos
No ciclo vicioso
De lutar pelo Viver
Quando nosso prémio
É simplesmente Morrer.

O quê resta ao corpo,
Não é a Morte?
'O pó retorna ao pó...'

Enquanto prosseguimos
À dá forma ao barro

Esquecemos
O informe transcendental

Na ilusão de tornar imortal
O corpo mortal
Nos sujeitamos
Apenas, a Sobreviver
Esquecendo-nos de Viver.

Rafaella Silveira Sucupira da Costa.